ISAVIÇOSA Blog

Fim de semana de vivências e troca de saberes na Ecovila Palmital

A sede do ISAVIÇOSA está situada na Ecovila Palmital, na região das nascentes mais altas do Ribeirão São Bartolomeu, na zona rural de Viçosa. Dentre os projetos locais que o ISAVIÇOSA desenvolve está o Microbacia Escola, cujo objetivo principal é contribuir para a conservação dos recursos hídricos da bacia do ribeirão São Bartolomeu, através da educação ambiental e demonstração de técnicas e alternativas ecológicas de uso sustentável dos recursos naturais, visando à conservação do solo, da mata ciliar e da água.
No último fim de semana, 17 e 18 de agosto, a Ecovila Palmital recebeu dois grupos. No sábado, estudantes de arquitetura e urbanismo de diversas universidades da região sudeste como UFJF, UFMG, UFRJ, UFV, UFSJ, UFF, reunidos em Viçosa para o Congresso Regional de Estudantes de Arquitetura (COREA), passaram o dia no sítio Palmital.



- O objetivo da visita foi discutir a questão ambiental em geral, agroecologia, formas de organização de comunidades, técnicas ecológicas de construção e a problemática urbano x rural como um todo – conta Amana Redivo, estudante de arquitetura da UFV. 

 Os estudantes foram acompanhados pelo professor e coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFV, Roberto de Almeida Goulart Lopes. Para enriquecer mais o dia de visita ao Palmital, o grupo teve a oportunidade de realizar uma vivência sobre como tornar os sonhos realidade através da construção colaborativa de projetos utilizando os processos e conceitos propostos por John Croft.

- Conhecida como Dragon Dreaming, esta abordagem vem sendo utilizada e difundida pelo ISAVIÇOSA  e consiste em uma forma lúdica, holística e integradora que busca facilitar a emergência da inteligência coletiva de grupos de pessoas para Sonhar, Planejar, Realizar e Celebrar projetos – explica Felipe Simas, diretor do ISAVIÇOSA e facilitador da vivência.


 Em seguida, foram discutidas questões ligadas ao modelo das Ecovilas, que se propõem a serem assentamentos humanos planejados sustentáveis nos diferentes níveis: social, econômico, ecológico e cultural, reconhecendo a necessidade de se planejar para uma transição no modelo de desenvolvimento atual.


No domingo, dia 18 de agosto, novos visitantes! Alunos de graduação e pós graduação de Moçambique, Cabo Verde , Guiné-Bissau e um peruano, que estão estudando na Universidade Federal de Viçosa, visitaram a Ecovila com o objetivo de realizar uma troca de saberes com a equipe do ISAVIÇOSA. 


Foram discutidos aspectos ligados ao conceito de Ecovilas que vem sendo aplicado em diversas partes do mundo, e como este pode ser um modelo interessante para comunidades tradicionais do Brasil e da África, uma vez que permite melhorar a qualidade de vida,  visando a menor pegada ecológica possível, o fortalecimento dos vínculos sociais, o fortalecimento da economia local e o respeito às diversas culturas e visões de mundo.



No sítio Palmital, o grupo visitante pode observar práticas de conservação do solo e da água e técnicas de construção ecológicas. Foram apresentadas as diversas frentes de atuação dos profissionais vinculados ao ISAVIÇOSA, bem como o perfil dos membros da comitiva africana e as demandas e áreas de atuação em seus países de origem. Ao término foi firmada a intenção mútua de se estreitar relações e parcerias entre o ISAVIÇOSA e os países africanos.

ISAVIÇOSA começa trabalhos para Planos de Manejo de Unidades de Conservação mineiras


ISAVIÇOSA começa trabalhos para Planos de Manejo de Unidades de Conservação mineiras
Monumento Natural Estadual de Itatiaia, Ouro Branco, Minas Gerais.

Uma Unidade de Conservação (UC) é uma área de proteção ambiental, um espaço de território com características naturais relevantes e limites definidos, instituído pelo Poder Público -  nas suas três esferas (municipal, estadual e federal) - para garantir a proteção e conservação dessas características naturais. Existem unidades de conservação de proteção integral, garantindo a preservação total da natureza, e de uso sustentável, que permitem seu uso controlado.
Toda UC deve possuir um Plano de Manejo conforme estabelecido no Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC. O Plano de Manejo é o instrumento que estabelece as normas e regulamentos que serão seguidos pelo órgão gestor da unidade para um período de cinco anos.
O IEF – Instituto Estadual de Florestas – lançou concorrência pública para elaboração do Plano de Manejo de duas  UCs Estaduais: Monumento Natural Estadual de Itatiaia (MNEI) e Parque Estadual Serra do Ouro Branco (PESOB). O Instituto Socioambiental de Viçosa foi a instituição vencedora dessa concorrência.
ISAVIÇOSA começa trabalhos para Planos de Manejo de Unidades de Conservação mineiras
Parque Estadual Serra do Ouro Branco (PESOB), Minas Gerais. 


Seguindo o cronograma de trabalho proposto pelo ISAVIÇOSA, as atividades tiveram início em junho último, com término previsto para abril de 2015. Dentre as ações planejadas estão a realização de um diagnóstico completo da situação atual das Unidades de Conservação em relação à fauna, flora, recursos hídricos, estado de conservação, pressões, ameaças, fortalezas e oportunidades. Serão feitos também análise socioeconômica das populações que moram ou trabalham nas unidades e no entorno - pessoas essas que influenciam de alguma forma as UCs ou são influenciadas por elas - e um estudo em relação ao potencial de uso público da região para turismo, educação ambiental e pesquisa científica.

Estas informações embasarão o Planejamento, que é um plano de gestão para as UCs, considerando um horizonte de curto, médio e longo prazos. Neste Planejamento, será feito o zoneamento das UCs e serão estabelecidas as normas de uso para cada zona estabelecida. Neste contexto, também serão definidos: missão, visão, políticas e objetivos das UCs, através de processo participativo que envolverá a equipe do ISAVIÇOSA, equipe do IEF responsável pelas UCs e membros do conselho consultivo das unidades.

ISAVIÇOSA começa trabalhos para Planos de Manejo de Unidades de Conservação mineiras
Parque Estadual Serra do Ouro Branco (PESOB). 

Saiba mais

O que é...

Plano de Manejo = documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos de gerais de uma Unidade de Conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais.  (Lei Nº 9.985/2000)
Unidades de Conservação (UC)= são espaços legalmente protegidos com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção. As categorias de UC dividem-se em dois grupos : as de Proteção Integral, com o objetivo básico de preservar a natureza, sendo apenas permitido o uso indireto dos recursos naturais da Unidade; e as de Uso Sustentável, com a função de compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais da Unidade. As Unidades de Proteção Integral são: Estação Ecológica, Reserva Biológica, Parque Nacional, Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre. As Unidades de Uso Sustentável são: Área de Proteção Ambiental (APA), Área de Relevante Interesse Biológico, Floresta Nacional (FLONA), Reserva Extrativista (RESEX), Reserva da Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável, Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
A criação de Unidades de Conservação pelo Poder Público, enquanto espaço especialmente protegido, tem respaldo na Constituição Federal (artigo 225, parágrafo 1º, inciso III), na lei 6.938 de 31/08/1981 (inciso VI) e ainda é objeto de uma lei específica: a Lei 9.985 de 18/07/2000, dita Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC , regulamentada pelo Decreto 4.340 de 22/08/2002. (Fonte: Ministério do Meio Ambiente)
Parque Estadual = No Brasil, parque estadual é a denominação dada às unidades de conservação de proteção integral da natureza pertencentes à categoria "parque nacional" do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, quando criadas na esfera administrativa estadual. É uma categoria de unidades de conservação, que se destaca pela grande beleza cênica e relevância ecológica. Os parques são criados com a finalidade de preservar a fauna e flora nativa, principalmente as espécies ameaçadas de extinção, os recursos hídricos (nascentes, rios, cachoeiras), as formações geológicas; conservar valores culturais, históricos e arqueológicos e promover estudos e pesquisas científicas, educação e ambiental e turismo ecológico.
Monumento Natural =  é uma Unidade de Conservação do grupo de proteção integral que tem como objetivo básico preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica. Pode ser constituído por áreas particulares, desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários.

ISAVIÇOSA começa trabalhos para Planos de Manejo de Unidades de Conservação mineiras
Monumento Natural  Estadual de Itatiaia (MNEI)

Relato da 2ª fase do AmaGaia

Após um necessário “respiro”, com grande alegria compartilhamos o relato sobre as dimensões Ecológica e Visão de Mundo, vivenciadas na segunda fase do AmaGaia – Educação para o Design de Ecovilas na FLONA do Purus, Amazônia, que aconteceu entre 25 de maio e 9 de junho último.   

O grupo continuou animado e diverso!  Nesta fase, particparam 109 pessoas, dos 14 aos 79 anos, de diferentes comunidades da região:  Vila Céu do Mapiá, Igarapé Mapiá, Comunidade São Sebastião, Reserva Extrativista Arapixi, Terra Indígena Kamicuã (povo Apurinã), representantes do ICMBio.

Com a presença dos educadores May East (Gaia Education e CIFAL-Scotland), Skye (UniGaia), Gabriela Mendes (TAIPA Arquitetura), Felipe Simas (ISAVIÇOSA), Pedro Christo (ISAVIÇOSA), Suyá Presta (Terra Una), Ana Carolina Simas (UFV), Gabriela Monteiro (Terra Una), e José Pacheco (Escola da Ponte, Portugal;  e Projeto Âncora, SP), junto com lideranças da comunidade anfitriã – Alfredo Gregório de Melo, Alex Polari de Alverga, Maria Alice Campos Freire, Clara Iura e Isabel Barsé –, o grupo se dedicou aos temas: transição para a sustentabilidade, feminino e masculino, design integrado para a sustentabilidade, permacultura, construções ecológicas, tecnologias apropriadas (energia, água e resíduos), produção de alimentos, espiritualidade socialmente engajada, reconexão com a natureza, visão holística, saúde e cura, e educação e inclusão.

 May East treinou o grupo nos métodos participativos utilizados no movimento das Cidades em Transição (Transition Towns), e facilitou uma vivência e diálogo entre mulheres e homens.  



Skye compartilhou sua vasta experiência com a Permacultura e outros assuntos na dimensão ecológica.


Relato da 2ª fase do AmaGaia   Relato da 2ª fase do AmaGaia
Nos temas ligados à produção de alimentos, construções e energia, foram realizadas sessões abertas nas quais moradores da comunidade foram convidados a participar e contribuir com os saberes locais.  

 Na dimensão Visão de Mundo, membros da comunidade anfitriã facilitaram sessões em que o grupo pôde fortalecer a memória de anos de experiências vivendo na floresta, em profunda conexão espiritual com a natureza.  


Alfredo Gregório de Melo, filho do fundador da Vila Céu do Mapiá, compartilhou a visão espiritual que mantém a comunidade unida. 


O educador José Pacheco, criador da Escola da Ponte, em Portugal, concluiu esta dimensão contando sua maravilhosa experiência na aplicação de uma visão inovadora e emancipadora de educação.  Neste dia, o círculo foi ampliado com a participação dos professores e estudantes da Escola Estadual Cruzeiro do Céu.



Em todas as dimensões, enfatizou-se a conexão entre os temas compartilhados e o Plano de Manejo da Floresta Nacional do Purus.  Durante a semana ecológica, Flavio Paim, analista ambiental do ICMBio, fez uma exposição ampla do Plano.


Como principal resultado do AmaGaia, foram criados pelos participantes oito grupos de trabalho (a partir dos grupos de estudo de caso, ou “Vilas”, desenvolvidos durante o curso), que sonharam e planejaram ações para a implementação de soluções adequadas para a sustentabilidade nas comunidades locais.  São eles:  Cultura e celebração; Educação; Saúde e cura; Geração de renda; Produção de alimentos; Governança; Comunidade São Sebastião; e FLONA do Purus.Com o apoio dos educadores e facilitadores, os participantes aplicaram à criação de projetos o conhecimento construído e compartilhado durante o programa.  Para isso, produziram, através da metodologia do Dragon Dreaming, um plano de ações para a continuidade e aplicação dos aprendizados!






Concluída tese sobre comunicação colaborativa na FLONA do Purus


Concluída tese sobre comunicação colaborativa na FLONA do Purus
Oficina para compartilhar ferramentas de comunicação colaborativa. 

No último dia 10 de julho, na Escola de Comunicação da UFRJ, aconteceu a defesa da tese de doutorado 'Comunicação e Diferença: estudos em comunicação colaborativa para a sustentabilidade comunitária', de autoria de Ana Carolina Beer Simas, orientada pelo Prof. Dr. Marcio Tavares d'Amaral.  
A tese é resultado da pesquisa-ação desenvolvida na Floresta Nacional do Purus, na Amazônia, entre 2010 a 2013.  O trabalho foi apoiado pelo ISAVIÇOSA, e aconteceu através da formação de uma comunidade de aprendizagem e prática, o ECOS da Floresta (Estudos de Comunicação para a Sustentabilidade).  Os participantes - cerca de 40 moradores da Vila Céu do Mapiá, na FLONA do Purus - compartilharam processos e ferramentas de comunicação colaborativa, em seis oficinas participativas.  

Concluída tese sobre comunicação colaborativa na FLONA do Purus
Grupo trabalha em oficina de comunicação
Concluída tese sobre comunicação colaborativa na FLONA do Purus
ECOS da Floresta - comunidade de aprendizagem e prática 
O objetivo foi formar agentes de comunicação comunitária para a sustentabilidade.  O principal resultado foi a mobilização da comunidade para organizar e anfitriar o programa AmaGaia - Educação para o Desenvolvimento de Ecovilas na FLONA do Purus e região - versão amazônica certificada do currículo EDE (Ecovillage Design Education), da organização internacional Gaia Education, cujo currículo é uma contribuição oficial para a Década de Educação para o Desenvolvimento Sustentável, da UNESCO.  






Alunos da UFV visitam Microbacia Escola


No dia 10 de julho último, alunos da UFV dos cursos de Engenharia Florestal, Biologia, Engenharia Ambiental, Geografia e Agronomia visitaram a Microbacia Escola, localizada na sede rural do ISAVIÇOSA,  para uma aula sobre APA (Área de Proteção Ambiental). A visita foi uma aula de campo, da disciplina Unidades de Conservação. Os alunos foram acompanhados pelo Professor Gumercindo Souza Lima, responsável pela disciplina.
No sítio, os alunos visitantes foram guiados pelo engenheiro agrônomo, MsC em Botânica,  Aianã dos Santos Pereira, membro do ISAVIÇOSA e morador do local. Eles visitaram as nascentes mais altas do Rio São Bartolomeu e puderam conhecer o trabalho de recuperação feito e também a maneira de ocupação e uso da área, de forma mais sustentável, que os moradores praticam.