Isaviçosa

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ISAVIÇOSA na Troca de Saberes

Entre os dias 13 e 17 de agosto, aconteceram as atividades presenciais  da 13ª edição da Troca de Saberes, que teve continuação em espaços virtuais durante os dias 18 e 19. Com o  tema “Curar, levantar e resistir: em memória daquelas que partiram”, a Troca 13 reuniu novamente movimentos sociais, docentes, estudantes, organizações da sociedade civil e o público em geral para uma grande celebração em prol da agroecologia, da agricultura familiar, da vida e da saúde.

A Troca de Saberes foi organizada pelo Núcleo de Educação do Campo e Agroecologia da UFV (ECOA), em parceria com movimentos sociais e organizações da sociedade civil – em especial o Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM). O  evento integra a Semana do Fazendeiro organizada pela Pró-Reitoria de Extensão da  Universidade Federal de Viçosa (UFV) e promove diversas atividades de construção coletiva de saberes, a partir da valorização da cultura popular e da troca de saberes populares e acadêmicos.

O Instituto Socioambiental de Viçosa (ISAVIÇOSA) está entre as instituições que apoiam a Troca de Saberes. Nesse ano, no âmbito do projeto Microbacia Escola, convidamos o produtor rural, artesão e membro da Associação de Plantadores de Água do município de Alegre, no estado do Espírito Santo, Newton Barboza Campos, para ministrar a Instalação Artístico Pedagógica (IAP) intitulada “Da onde vem a água e para onde ela vai? Colhendo chuva e plantando água”. Esta IAP ocorreu de forma permanente, a partir da tarde do dia 15 até a manhã do dia 17, no gramado em frente ao prédio Arthur Bernardes, atendendo um  público diverso, com destaque para estudantes de Escolas Família Agrícola da região e de escolas públicas de Viçosa.

Acompanhando o Newton na facilitação das atividades estava o agricultor Marcelo Silva Gomes. Ele afirma ver muita relevância na propagação dos conhecimentos de Plantio de Água e ressalta que a participação nesse tipo de evento é uma oportunidade para a disseminação da ideia. De acordo com ele, “ está provado que o Plantio de Água dá certo. A gente já implementou  o projeto e, em todas as nascentes que a gente cercou, hoje a água está fluindo, não seca mais. As propriedades que permitiram que a gente fizesse esse trabalho não têm mais problema. Outras que não permitiram estão com falta de água. Aí, cada vez mais, com a procura, a gente sai dando essa assistência. Para onde chamar, estamos indo. Plantamos água em todo lugar!”

Em sua fala, Newton apresentou  as técnicas de plantio de água – como o cercamento das nascentes, construção de  caixas secas,   terraços e caixas cheias – , contou um pouco de sua experiência pessoal, descreveu os percursos das águas de diferentes bacias hidrográficas através de mapas.

Newton reforçou a importância da leitura do ambiente no local onde será implantado o plantio de água, para que os procedimentos sejam aplicados de forma otimizada, considerando as características específicas de cada propriedade e região. Segundo o artesão, é possível plantar água em qualquer lugar, mas, primeiro, é importante esse entendimento do campo. “Como diz a Anna Primavesi, ‘é fazer a água residir em vossa propriedade’, então, você tem que fazer a água parar na sua terra”,  explicou.

A apresentação recebeu também, de forma muito lúdica, a ilustre participação de um fantoche, trazido por Newton, que representa um indígena chamado “Fala Sério”. Por meio dessa performance, o agricultor reforçou a importância de incentivo público para fortalecimento das práticas agroflorestais, por meio do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

Ele afirmou, ainda, que é importante falar sobre o plantio de água na UFV,  “porque tudo o que você for plantar ou criar precisa de água”. Apontando para as calhas presentes em prédios da Universidade,  exemplificou sobre como seria interessante reservar este recurso, pois “aquela água pode servir um dia para molhar esse gramado”.

A Troca de Saberes contou com barracas de agricultores familiares, apresentações de grupos populares, as IAPs e uma série de espaços amplamente divulgados na programação. O último evento presencial foi o Ato Público na cidade, realizado em defesa da vida e da agroecologia, finalizando este encontro marcado pelo compartilhamento de saberes muito ricos e diversos.

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